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[Resenha] A febre do amanhecer - Péter Gárdos

26 abril 2017

Título: A febre do amanhecer 
Subtítulo: Uma história de amor depois da tragédia da guerra.
Gênero: Romance 
Autor: Péter Gárdos
Editora: Companhia das Letras 
Páginas: 248
Ano: 2017

Resenha postada em parceria com o Blog Quem lê, sabe porquê


Sinopse:
Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.


Livros 
que possuem como tema central ou pano de fundo a Segunda Guerra Mundial sempre me atraem, não pela tristeza já que isso contém em todos, mas porque aos poucos os autores vão nos ensinando sobre o tema histórico e sobre amor, piedade e bondade, coisas que andam em falta na humanidade em geral.

Quando solicitei A febre do amanhecer em parceria com o blog Quem lê, sabe porquê, não esperava uma história tão magnífica e tocante, com um tema tão pesado, então tive uma surpresa muito gostosa e quero compartilhar com vocês.

"O destino às vezes é generoso com os resistentes."

Miklos é um jovem Húngaro de 25 anos que acabou de sair da Guerra, ele esta sendo levado para uma base militar na Suécia onde será tratado junto com outros homens, jornalista e poeta, a experiência na sua profissão foi curta, pois logo ele estava sendo convocado para a guerra e toda sua vida estava sendo deixada de lado. Mas apesar das torturas e de toda a dor e sofrimento, o jovem Miklos nunca deixou de sonhar e escrever, mesmo que em pensamentos, seus poemas estavam sendo criados e guardados a sete chaves.

Quando Miklos chega na Suécia, recebe a notícia de que sua saúde esta muito mais abalada do que imaginava, seus pulmões estão tomados pela tuberculose, e numa época e local onde remédios e tratamentos eram escassos, o rapaz descobre que sua permanência na terra, não durará mais que 6 meses. E é nesse momento que nosso protagonista resolve tomar uma atitude inusitada, ele não deseja morrer sozinho, como todo poeta ele deseja um amor, mesmo que por pouco tempo, e assim Miklos começa sua missão de mandar cartas para 117 jovens Húngaras também adoentadas na esperança de encontrar seu amor.

Em outra parte da Suécia, a jovem Lili recebe a carta a de Miklos, ela esta adoentada e depois de ser torturada e afastada de sua família, nada mais faz sentido, mas ainda sim ela se vê tentada a responder aquele rapaz que mesmo desconhecido, se mostrou tão simpático. E assim se inicia uma amizade a distância que se transformará em amor e força.

O livro é narrado em terceira pessoa, mas ao contrário de tudo que estamos acostumados, nessa obra o filho narra a história dos pais ao leitor, através de km de distância e uma nuvem de tristeza e dor, Lili e Miklos encontrarão amor e força, não nos braços um do outro, mas nas palavras. Sentimentos como fé, força, amor e até inveja são repassados nas linhas dessa obra, nem tudo são flores, e aqui descobrimos que em 1945 nem tudo foi só guerra.


"Vinte cinco anos e tanta, tanta coisa ruim. Eu não tenho como me lembrar de uma bela vida familiar harmoniosa: não faz parte de minha história. Talvez seja por isso que eu procure por uma tão desesperadamente..."

O livro é curto porém o sentimento é longo, durante a leitura senti saudades, saudade da caligrafia, da época em que as pessoas conheciam as letras umas das outras. E tomada por esse sentimento de nostalgia me vi encantada e sonhando em cometer o mesmo disparate, escrever cartas, mandá-las a desconhecidos na esperança de ser respondida e assim conhecer pessoas, me comunicar com quem nunca vi de uma forma única, compartilhar segredos e transmitir conselhos de forma escrita, ser a companhia de pessoas solitárias, a saúde para pessoas doentes. O livro é mágico, a história, um romance diferenciado, que acolhe a segunda guerra mundial como plano de fundo e mostra que o amor pode aparecer e nascer de várias maneiras, até no terreno mais inóspito, o terreno onde mesmo com terras mortas o amor pode florescer e apresentar lindas pétalas repletas de história.


Super indico a obra para românticos de plantão, o livro sensível, com uma escrita leve e uma leitura curta, apesar de conter mais de 200 páginas, a leitura transcorre de tal forma que a sensação é de que foram apenas 50.

A edição da Companhia esta linda, o material da capa é áspero e se diferencia daquilo que estamos acostumados, figuras de selos, carimbos postais e trechos de cartas em sueco representam bem o tema do livro, diagramação simples, deixando espaço para que as palavras mostrem a grandeza e riqueza da obra.











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